Daqueles que caíram,
Um apenas não aceitava.
Tinha caído por pena,
Por paixão.
Ele veio ao mundo dos homens,
Todos o acusavam.
Mesmo sem crimes,
Apenas por pena dos que caíram.
O senhor dos céus não o aceitava em seu reino.
O senhor das trevas não o aceitava de volta.
Ele estava condenado a viver uma vida eterna.
Algo que muitos seres desejam fogosamente,
Era sua angustia pior.
Vagar por terras e eras.
Sem ninguém.
Sem nada.
Os senhores dos tempos o desprezavam.
Não tinha vez.
Vagou como cavaleiro solitário por eras.
Viu belezas.
Mas viu desgraças.
A noite era sua calmaria.
Ficou tanto tempo nas trevas que as trevas o acalmavam.
Apenas vagando.
Sem rumo.
Nada fazia quando era insultado por homens.
Nada fazia quando era derrubado.
Era humilde demais.
Ajudava a todos.
Mesmo que os mesmos o derrubassem depois.
Tinha um coração que ainda batia em seu peito.
Tinha sangue nas veias.
O senhor dos céus percebe as criaturas.
Mesmo não podendo aceitar ele de volta ao seu mundo,
Ele o amava.
Viu seu coração aflorado de alegria de poder ser diferente,
Mas,
Afogado em tristezas pela rejeição.
Deu-lhe um amor.
Uma jovem, doce e com vivacidade,
Para alegrar o coração destruído dele.
O amor aflorou por longos anos,
Ela era como ele,
Imortal,
Mas era o oposto,
Era divina, angelical.
Ele agarrou com todas as suas forças a oportunidade de ser feliz.
Queria provar que ele também ama,
Mesmo sendo das trevas,
Mesmo que já tenha sentido o gosto da dor alheia,
Queria melhorar.
O senhor das trevas percebeu que o seu cervo estava se tornando santo.
Percebeu que estava sentindo amor aflorar.
Mandou a maldição.
Daqui para frente viverás somente com a dor dos outros,
O sangue será sua comida e bebida,
Fará todos afastarem-se de ti mais e mais.
Será o anjo de asas negras,
Temido anjos de asas negras,
Será príncipe do meu reino,
Mesmo que a esse nunca retornarás.
Será Príncipe das Trevas.
